Dungeon Meshi é uma obra japonesa de autoria de Ryoko Kui, renomada mangaká (autora e ilustradora de mangás). A obra foi publicada em formato de mangá entre 2014 e 2023, recebendo uma adaptação parcial para anime em 2024.
Na obra, acompanhamos Laios, um aventureiro que entra em um calabouço com sua irmã, Falin, e o restante de seus companheiros. O calabouço é uma estrutura parcialmente subterrânea, repleta de magia e ecossistemas habitados por monstros (como orcs, mímicos, mandrágoras, kelpies, krakens e sereias), construído há muito tempo por um mago louco. Dizem que quem conseguisse derrotar o mago teria controle do calabouço, apoderando-se das riquezas e de tudo que houvesse lá. Laios estava prestes a derrotar o dragão vermelho com seu grupo, mas a fome os afetou, e sua irmã foi devorada pelo monstro. O grupo consegue fugir, com exceção de Falin. Diante disso, Laios e os membros restantes decidem retornar para salvá-la, mas já não possuem dinheiro, e a maior parte de seus itens ficou para trás. Sem alternativas, eles terão de se render às delícias do calabouço e consumir os monstros que encontrarem pelo caminho. Nesse momento, uniu-se a eles Senshi, um anão altruísta e pesquisador de culinária monstruosa há anos, que se voluntaria para preparar seus pratos. Assim, os heróis partem em uma longa aventura em busca de Falin e de finalmente provar o sabor do temido dragão vermelho.

A primeira temporada terminou com 24 episódios e foi aclamada como um dos melhores animes de fantasia da atualidade, ao lado de Frieren: Beyond Journey’s End e Witch Hat Atelier. A obra apresenta um equilíbrio entre comédia, drama, tensão e culinária especulativa, além de contar com personagens carismáticos e cheios de personalidade.
A narrativa aposta em abordar dramas e questões envolvendo as diferenças entre as raças presentes na história (anões, homens-altos, elfos, gnomos, halflings, homens-besta e humanos), explorando variações culturais, alimentares, físicas e sociais, como altura, maturidade, expectativa de vida, necessidades e hábitos. Esses elementos contribuem tanto para os momentos de drama quanto para a comédia, além de reforçarem a valorização das diferenças e dos laços entre os companheiros. A autora também aborda a importância da ecologia por meio das interações e mensagens presentes na obra, destacando a necessidade de manter o equilíbrio dentro do calabouço, logo, respeitando os ciclos das criaturas e apenas pegando o essencial para sobreviver, nada mais.
O sabor do calabouço é o melhor prato para amantes de fantasia e quem está
cansado de “mais do mesmo” na indústria. O sabor do calabouço, o gosto perfeito para um dia cansativo e corrido. Ahh, o Sabor do calabouço…
Ryoko Kui possui extremo cuidado com os detalhes, apresentando uma arte bonita, consistente e livre de erros de continuidade, fazendo com que o visual acompanhe o clima da história. Sua arte também se destaca por não sexualizar as personagens femininas, tratando-as com dignidade, respeito e variedade de corpos, personalidades e gostos, tornando cada uma memorável dentro da obra. Nenhum personagem existe em Dungeon Meshi por acaso: cada um possui sua importância e relevância na trama, seja para fazer o grupo avançar ou recuar. Todos são fortes à sua maneira e fazem tudo o que está ao seu alcance.
Importante ressaltar que esta não é uma obra para quem espera lutas e combates épicos a todo momento, pois eles são pontuais. A obra dá ênfase às relações, à busca, aos mistérios do calabouço, ao drama e à culinária. É uma obra apaixonante, que não busca se apressar nem estimular o telespectador ao extremo para despertar seu interesse. Ao mesmo tempo, não é uma obra lenta: ela desenvolve sua história no melhor ritmo possível, permitindo que compreendamos cada um dos detalhes que compõem o mundo e suas personagens.
O anime já teve sua segunda temporada confirmada, com previsão de sair ainda este ano, adaptando os arcos finais, se aprofundando na política da ilha e nos andares mais profundos da masmorra. Seu mangá foi finalizado com 97 capítulos, compilados em 14 volumes tankoubon1*, já lançados no Brasil.

Anime
Direção: Yoshihiro Miyajima;
Roteiro: Kimiko Ueno;
Música: Yasunori Mitsuda Shunsuke Tsuchiya
Estúdio Trigger
Disponível em Netflix
Mangá
Autora e desenhista: Ryoko Kui
Revista de publicação original: Hara
Editoração original: Enterbrain/Kadokawa
Editoração no Brasil: Panini Brasil
Texto: Samyele Mossi
*Imagens retiradas do perfil oficial do anime
- *Tankoubon é um termo japonês usado no meio de mangás. Mangás são originalmente publicados em revistas, em frequências semanais e mensais no geral, focadas em gêneros e demografias, antes de serem compilados em volumes de uma mesma obra. “Bon” vem da palavra Hon e significa livro. O termo tankoubon é usado de maneira geral no japão como uma formatação de livros, no Brasil, se refere aos volumes de mangás de cerca de 160 a 200 páginas, compilando, em média, 6 capítulos. Outros termos usados neste meio no Brasil, são: Meio-tanko: metade de um tankoubon, atualmente não é usado, mas é visto em edições antigas da editora Conrad; e Kazenban: utilizado para compilações de dois ou mais tankoubons, comum em edições de luxo com brindes, capa dura e papel sofisticado. ↩︎
Veja aqui a Ilustração Autoral inspirada no Dungeon Meshi feita pelo estudante Pedro Magalhães
