Miguel Vargas é natural de Santa Maria e crescido em Santiago/RS. De 2010 a 2012, cursou o Ensino Médio juntamente com o Técnico em Informática no Instituto Federal Farroupilha – Campus São Vicente do Sul, primórdio do Curso Técnico em Manutenção e Suporte em Informática, como existe atualmente. Desde fevereiro de 2022, Miguel vive nos Estados Unidos, onde inicialmente morou no estado da Flórida. Hoje, ele vivem em Austin, no Texas e, aqui, destaca sua vivência no IFFar, sua participação no “O Guaxinim”, além de trazer reflexões sobre a fase vivida por um estudante do ensino médio, especialmente no contexto do Campus SVS. A entrevista foi organizada por partes para valorizar cada etapa de sua trajetória. Primeiro, abordamos suas experiências como estudante do Instituto; depois, sua participação no jornal escolar; em seguida, seus caminhos após a formação, incluindo vivências no exterior; e, por fim, suas memórias e conselhos para estudantes do Ensino Médio técnico. Dessa forma, a entrevista reforça a importância de aproximar os atuais alunos dos egressos do IFFar, pois é comum que os jovens temam a vida após a escola, e esse contato pode fazer toda a diferença.
Confira a entrevista que Miguel Vargas concedeu:

Créditos foto: arquivo pessoal
1 – Na sua época final de Ensino Fundamental, início da pré-adolescência, quais foram os motivos que te levaram a estudar no IFFar?
Fazem muitos anos e os motivos claros, que me levaram a estudar no IFF, não saberei dizer, apenas creio que a sede de saber e a curiosidade de uma mente cética me levaram ao IFF.
2 – De 2010 a 2012, você foi um aluno-residente-bolsista do IFFar, então teve uma relação muito próxima com essa escola, que também foi um lar para ti. O que você destaca da sua trajetória aqui?
O IFF, assim chamado na época em que estudei, não era simplesmente um conglomerado de prédios, salas e estruturas físicas, mas um organismo vivo, onde cada célula (alunos, professores, servidores e demais integrantes) tinham uma função específica: levar o conhecimento e a iniciação científica além das cercas do campus. Assim, o ponto que marcou profundamente a minha pequena passagem pelo IFFar é a relação interpessoal e a forma que isso pode mudar o mundo.
3 – Como foi para você participar do jornal “O Guaxinim” e quais experiências mais marcaram esse período?
O Guaxinim é um legado, que surgiu através de uma conversa entre quatro pessoas para direcionar mentes fervorosas em prol de algo maior e positivo. E como todo os projetos, tiramos da mente para o papel, e do papel à prática seguindo o instinto mais puro de ser livres. Hoje vendo outros jovens com os mesmo desejos que possuíamos no começo, e crendo que os “crachás mágicos” dos Guaxis vão além de uma simples identificação, tenho a certeza que o legado será transmitido aos filhotes no futuro e que há sempre uma forma de usar o potencial, a criatividade e o senso de pertencimento que todos temos em algo que realmente transforme ou agregue as vidas atingidas. Desejo que, assim como foi para mim, vocês possam ver a luz de um mundo diferente por trás da máscara negra deste pequeno ser. Um abraço de Guaxinim a todos.
4 – Depois do IFFar até hoje, quais foram as principais etapas da sua vida?
A percepção de fases para mim é muito vaga, pois acredito que a vida é fluida não tendo como delimitar fases. Assim resta apenas o hoje, o aqui e agora.
5 – Quais são seus objetivos atualmente?
Meu maior objetivo é ser um ser humano melhor, consciente e apto a gerar reflexões nos demais indivíduos.
6 – Você sente que o IFFar te ajudou a conquistar ou a preparar o caminho para esses objetivos?
Certamente o IFF transformou minha percepção de mundo, afinal conviver em um ambiente composto por doutores, mestres e seres pensantes pode gerar condições positivas para o crescimento e as reflexões do mundo, sendo um amplificador das potências individuais.

Créditos foto: arquivo pessoal
7 – Como tem sido a sua experiência de viver no Texas, um estado frequentemente associado a estereótipos como cowboys, armas, conservadorismo e paisagens desérticas? A realidade tem correspondido a essas expectativas ou surpreendido de alguma forma?
Ao sair do país encontrei uma realidade diferente da propaganda nas mídias. EUA tem seus problemas igual a qualquer outro lugar isso é claro, mas aqui temos a segurança e estruturas de ser livre. As pessoas andam na rua tranquilamente com seus celulares e acessórios sem medo, às vezes vejo carros abertos ou ligados nos estacionamentos (devido ao calor texano) e ninguém mexe. Ok, ok, isso é em todos os lugares? Não! Assim como em qualquer cidade há pontos em que a displicência pode custar caro e gerar algum inconveniente, porém são muito específicos esses locais e podemos contar na mão.
O Texas é um estado magnífico, possuindo uma das maiores extensões territoriais (perdendo apenas para o Alasca), um orgulho além do americano médio, relembrando em muitos aspectos o Sul e os benefícios de um país desenvolvido. O texano, por sua vez, é um ser de coração tão grande quanto o próprio estado e sempre disposto a ajudar, ficando apenas no imaginário popular, ou como um estereótipo negativo não condizente com a realidade, similar a armas e intolerância que muito ouvia falar.
8 – Quais foram os principais desafios e facilidades que você encontrou ao se adaptar a uma cultura e sociedade diferentes?
Os principais desafios que encontrei foram relacionados à comunicação e à cultura. Um novo idioma pode ser desafiador para um recém chegado, assim como os costumes e tradições. E a maior facilidade que pude observar foi a capacidade de adaptação que temos.
9 – Qual é a sua percepção sobre como os moradores encaram o cenário político atual dos Estados Unidos? Você sente que existe uma visão predominante ou as opiniões estão divididas?
Não tenho nenhuma percepção. Política é muito particular, assim como o brasileiro tem seus credos e crenças, o americano também terá.
10 – Quais têm sido os maiores desafios e aprendizados da sua experiência como imigrante? Já presenciou/enfrentou situações de preconceito ou xenofobia? De alguma forma, isso se intensificou durante o período da gestão Trump e sua política anti-imigração?
Não sou um imigrante, sou um estudante e estou legalmente no país, então não posso emitir juízos sobre imigração ou sobre as políticas de um país culturalmente diferente do nosso. Referente a preconceitos, acredito que há pessoas que não estão dispostas a conhecer outras visões de mundo, e está tudo bem, afinal ninguém é obrigado a seguir o que o outro quer, porém o respeito sempre falou mais alto e nunca tive problemas por ser de outro país, ao contrário, isso gera uma curiosidade e aproximação.
11 – O que mais te desperta saudade quando você lembra do seu tempo no IFFar?
Vai soar estranho, mas não sinto saudades. Com o passar dos anos e as reflexões sobre a vida, percebi que todos os momentos foram importantes naquele momento, e sou grato a todos eles, porém não sinto saudades de nada, pois vivo o aqui e agora.
12 – Com base na sua experiência, que conselho você deixaria para quem está passando por essa fase agora?
Não sou nada nem ninguém para dar conselhos, e acredito que o mais importante é ter consciência! Trazer à luz do raciocínio o questionamento de atos, conhecimentos e fontes de embasamento, para que possamos viver o aqui e agora plenamente.
Entrevista: Magdiel Haar
